Diário
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Querido diário,
quarta-feira, 13 de agosto de 2025
Querido diário,
Eu era eu, e de repente, não pude mais ser.
Busquei-me em locais e pessoas que moldaram-me e me tornei um deles, mas eles não me aceitavam. Então descobri um novo eu, mas era eu mesmo ou era o que eu achava que queria ser? O tempo me disse que esse ainda não era eu. E agora sou? Sinto-me mais viva, como se florescesse, como se a semente plantada finalmente criasse raízes. Mas sou sempre o agora, meu passado se dissipa, como uma névoa que nos faz esquecer de tudo, igual um livro que li e recordo um pouco.
Porém há ventania e desconforto em crescer. Eu não sabia que seria tão árduo, não imaginava que teria tantos contratempos em mim, em minha própria mente. Todo dia uma batalha invisível aos olhos da multidão, mas eu estou no palco e o holofote me cega, eu preciso me apresentar, preciso sorrir, acenar e soltar minha voz, cantar um cântico, algo sonoro, um murmúrio. Já não posso me permitir ficar calada, não mais! Então bebo e sinto o veneno me corroer, mas não é ruim, só é demais, e isso me deixa um pouco triste, mas há tanta beleza a minha volta, eu tento diariamente enxergar pequenas coisas que me fazem sentir.
Dizem coisas boas de mim e eu me pergunto se é assim que sou enxergada, como um quadro belo pintado para proteção, mas mesmo assim duvido de mim mesma e ao mesmo tempo tenho tanta certeza. Uma fé cega que me guia desde sempre. É assim com todo mundo? Queria ser outro por um dia, entender algo além dos meus sentimentos, dos meus pensamentos.
Nos meus sonhos esqueço que existo e existo em outros ares, outros mundos, outros seres. Mas acordo e preciso vivenciar essa realidade, esse eu. Gosto do vento no cabelo, dos pássaros cantando, da minha família e amigos, eles são um grande pilar do meu alicerce. Gosto do cheiro de pão assando na sanduicheira que me lembra minha infância, no batente da cozinha, ouvindo minha avó cantar.
Saudades da infância, mas hoje eu te honro: mini eu. Faremos essa vida valer a pena, por você e por todas as vezes que não te deixaram cantar, quando retiraram o microfone e desligaram as luzes do palco. Eu acendi uma lanterna para você. Eu te aplaudi e te ouvi. Sempre estarei aqui.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2025
Querido diário,
Estou numa fase em que aos poucos me torno um novo eu.
Não sei que “eu” eu serei, mas sei que já sou, pois sinto crescendo em mim como raizes, raizes de uma planta desconhecida, uma planta que demorou anos para nascer, porque ela tinha medo, um medo desconhecido de um futuro incerto. Mas hoje não há mais medo, hoje não há mais nada, apenas uma busca e um encontro da espiritualidade e da melhor versão de si.
Quando o medo vem, eu o cancelo, corto o emaranhado que ele deixa no caminho, por que afinal o que é o medo? Ele só destrói a mente, e eu fortifico a minha com o amor, a tranquilidade e a paz da vida.
Eu já alcançei: as raizes se tornaram uma linda árvore! Tudo o que ela precisa é de um tempinho para se adaptar.
Está tudo bem, graças a Deus. As borboletas dançam ao redor da árvore, é pacífico. Viver é uma grande benção.
sábado, 5 de outubro de 2024
Querido diário,
Todos os dias, em algum momento, eu me questiono: quem eu sou?
E chego a conclusão de que não sou nada, não sou ninguém e ao mesmo tempo sou tudo.
Eu apenas sou.
E isso gera infinitas possibilidades que me confortam.
quarta-feira, 11 de setembro de 2024
Querido diário,
Quem me escolheria além de mim?
Às vezes, em momentos de tormentas, quando penso na minha vida, refletindo sobre as pessoas que me rodeiam, não me sinto escolhida. Isso não significa que não me sinto amada, é diferente. É como se eu fosse alguém que sempre está lá, mas não sei se as outras pessoas estão aqui por mim, entende?
É como na escola, na aula de educação física, onde ninguém me escolhia pro time, ou como na igreja, onde os grupos eram formados e eu ficava de fora, e Deus sabe que eu queria tanto estar lá, não por eles, mas por mim. Eu sempre fui o observador que olha a partícula, mas será que um dia também fui a partícula observada? Sim, fui. Sim, sou. Sou porque hoje me escolho, eu sempre me escolhi, sempre estive por mim, me amparando e me protegendo de mim, contra as sensações de desamparo que a vida e as pessoas que me rodeavam projetavam em mim.
Lembrei de uma época quando fiz meus primeiros amigos e eles me substituíram por alguém lido como mais interessante, logo depois o mais interessante os trocou e eles voltaram para mim, como se eu fosse um atracadouro sempre pronto a receber seus barcos. E eu fui, porque eu sou. Sempre de peito aberto para compreender o outro, mas muitas vezes o outro nunca me compreendeu.
Hoje uma querida me disse que é preciso deixar o barco navegar na maresia, e eu me torno esse barco, eu abandono o cais que eu sempre fiquei. Me tornei este barco com cada experiência e conexão que fiz no caminho.
Preciso compreender que não sou mais a criança rejeitada, porque agora eu escolho ela e, no fundo, sei que ela me escolhe, assim como hoje sei que existem pessoas que a acolhem.
Te amo muito vovó, onde você estiver, eu sei que você sempre me escolheu e sempre me escolherá, assim como eu sempre te escolhi e sempre te escolherei. Do mesmo modo que escolho minha mãe e meu pai, eu os amo tanto. Agradeço sempre a Deus por ter crescido com vocês.
Agora eu preciso ser forte e compreender que nem sempre tudo está bem, é só uma maresia forte que me deixa à deriva. Eu tento ser mais forte, e sei que tudo passa, não me torno uma vítima, eu crio a minha realidade, e é justamente por isso que hoje digo que mereço ser escolhide, mereço ser amparado e amada. Por mim e pela minha criança que ansiava por um amigo e um rio cheio de amor pra navegar.
Me abraço sentindo o vento forte esvoaçar meus cabelos, levando embora lágrimas de tristeza e alegria.
A vida é linda.
E ainda se há muito o que viver.
terça-feira, 28 de maio de 2024
Querido diário,
O universo conspira para me dar tudo que eu quero, e eu sou muito grata por isso.
Tem dias que há tormentas, confusões e tristeza demais em minha mente, como se eu estivesse em uma viagem de barco, a noite, sob uma tempestade avassaladora e eu estou completamente só, pilotando a minha embarcação. Posso pular no mar e abandonar tudo? Sim, mas também posso enfrentar o temporal, porque ele nunca dura para sempre, e é isso que eu faço.
Eu digo o que é real e o que não é, e as coisas melhoram. Lembro de quem amo, das pessoas que sempre vou amar, e converso com elas e isso me cura. Gratidão! Quando houver tormentas novamente eu sei como driblar-lás: é através do amor.
É normal ficar confuso com a vida de vez em quando, afinal é uma tremenda loucura existir, mas graças à Deus eu existo! E agradeço ao universo pelas dádivas da vida, e sou grato pelo que tenho, o que tive e o que terei, porque já foi alcançado no futuro.
Sonhei que alguém me perguntava o que eu queria da vida, eu estava chorando, olhando para uma janela, e disse que queria ser amado.
E eu sou.
sábado, 27 de janeiro de 2024
Querido diário,
Eu era uma flor e ele era uma abelha. Ele se rebelou contra mim e me feriu. Deixou seu ferrão em mim, pois também sou carne, e depois morreu.
Me doeu demais na hora e depois. A dor era latejante. Eu queria chorar, pois estava sozinha, eu estava tão sozinha, mas não me sentia só, porque eu ainda me tinha. Então me contradigo, como sempre faço, mas me repreendo, quebrando crenças enraizadas. Estou enraizada em mim, em terras plantadas por outrem, não sei quem. Sinto que não posso parar de crescer, então me cavo mais fundo e mais fundo, me tornando infinita, mas não sei se sou mesmo. Ainda sou uma flor? Me questiono. Quero ser mais.
Quero ser o sol, a lua, as estrelas. Quero ser o céu de alguém, de algo ou de mim, mas se choro não paro, então choveria demais e alagaria tudo.
Não sei se ainda sei nadar, tenho medo de morrer afogada, medo de gritar debaixo d’água e ninguém ouvir, e assim afundar cada vez mais até chegar no profundo fundo do mais fundo.
Chorei ontem à noite, disse a mim mesma que estava tudo bem, e estava tudo bem! Chorei porque também sou humana e preciso me desfazer da tristeza. Ela ainda me visita às vezes, somos amigas, rimos, bebemos e fumamos juntas. Quando ela me abraça, sinto uma saudade imensa, quando ela se despede é aí que eu choro.
E se um dia eu for a abelha? Me parece distante, não sei se conseguiria, acho que no fundo não quero, quero ser eu. E quem sou? Ainda estou me descobrindo.
Sou meu grito debaixo d’água, sou a chuva no mar, se misturando e se tornando uma só.
Saudades da praia, da mamãe e da vovó.
São horas iguais, faz um pedido, peço amor.
🌹 🐝
Ele curou todas as minhas feridas, me encheu de lavanda, seu toque era suave, a dor cessou.
Ele se foi.
Estou só.
E está tudo bem.