A vida é uma eterna gangorra onde você é obrigada a brincar.
Há dias que a brincadeira não agrada, nada agrada, mas então, algo acontece: um ruído: uma faísca: é o indício de uma explosão. A brincadeira começa de novo, e é boa, algo bom pode acontecer, como uma fé nata que nutro em mim, uma sensação que vai dar certo, não sei o que, nem quando, mas sei, pois sinto: eu sou.
Conquistei tantos sonhos que sempre sonhei, por vezes esqueço, reflito sempre sobre essa sensação, sobre o esquecimento... Por que esquecemos? Eu não quero esquecer! Então lembro do passado, da infância, dos traumas e como hoje sou a mulher que eu sempre quis. Hoje me visito em memórias e me acolho, pois somos o que queríamos, não temos mais medo de nada: estamos vivas! E eu não reconheço algumas partes de mim, elas não conseguem existir juntas e colidem, deixando partículas despedaçadas de um eu que se regenera. E eu as as acolho, as perdoo e as abandono, pois é preciso ser mais leve, elas eram muito pesadas e eu estou cansada.
Horas iguais, estou caminhando no trilho certo, mas e se um trem vier? Rezo por proteção, livramento, saúde e amor, eu me permito ser amada, escolhida e respeitada, mereço realizar todos meus sonhos pois sou boa de alma, corpo e coração.
A fé nata em mim diz: já deu certo!